O que significa mensurar impacto em UX Research?

Mensurar o impacto de UX Research é um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades para equipes de Produto e Design. Entender o valor gerado pelas pesquisas, além de organizar e operacionalizar o processo, é fundamental para garantir que o trabalho do time seja reconhecido e, principalmente, gere mudanças reais para o negócio e para os usuários.

Mas como traduzir esse impacto? Que tipo de resultados devem ser considerados?

Três dimensões em que o impacto pode aparecer

Este texto não traz respostas definitivas. Minha proposta aqui é iniciar uma conversa, lançar provocações, e ajudar você a refletir sobre o que pode ser observado dentro da sua empresa ao buscar evidências do valor de UX Research. Para isso, convido você a pensar em três dimensões em que esse impacto pode se manifestar:

  • Validação do valor gerado: Muitas vezes, líderes e gestores não enxergam o impacto direto das pesquisas, esperando resultados imediatos logo após a entrega do relatório. Porém, o impacto real pode levar meses para se manifestar, como mudanças em planos, preços ou até mesmo economia de recursos por evitar o lançamento de funcionalidades desnecessárias. Exemplo: “O impacto foi economizar dinheiro por causa do recurso X que ninguém usava.”

  • Acompanhamento de mudanças: É importante criar mecanismos para acompanhar o que aconteceu após a entrega do relatório, como agendar revisões após alguns meses para entender o que foi implementado e quais resultados foram alcançados.

  • Apoio à tomada de decisão: Métricas e acompanhamento de impacto ajudam a mostrar para a liderança que o trabalho de pesquisa não é apenas custo, mas sim investimento que pode gerar aumento de receita, engajamento ou satisfação.

Essas dimensões não são excludentes. Uma influencia a outra e todas merecem atenção se quisermos compreender a amplitude do impacto da pesquisa.

Operação, Projeto e Disciplina

O que mensurar? Essa é uma pergunta importante de se fazer e que comumente não é tão bem respondida logo no início, levando equipes a perderem tempo ou a se confundirem nesse processo. Existem três ambientes que podem (e devem) ser constantemente analisados quando o objetivo é saber se a Pesquisa de Experiência está funcionando em harmonia: operação, projetos e disciplina.

Uma coisa está conectada à outra, é claro, mas entender que elas estão em caixas diferentes é um primeiro passo essencial para continuarmos a conversa. É como se as três caixas estivessem dentro de uma caixa maior, chamada de “Pesquisa”.

  • Operações: A caixa da operação nada mais é do que o ambiente de ResearchOps (Operações de Pesquisa), onde acontece a organização e suporte ao trabalho de pesquisa. Inclui processos, ferramentas, repositórios, treinamento, recrutamento de participantes e padronização de práticas. É quando profissionais atuam “nos bastidores”, garantindo que pesquisadores, designers e PMs tenham condições de executar pesquisas de forma eficiente e escalável.

  • Projetos: Esta é a caixa dos projetos de pesquisa em si, com início, meio e fim, focados em resolver problemas específicos, gerar insights ou testar hipóteses. Um projeto pode resultar em aumento de conversão, novas ideias para experimentos, aproximação entre usuários e stakeholders, ou economia de recursos. O impacto de um projeto pode ser acompanhado por métricas específicas, como aumento de receita, satisfação do usuário ou redução de churn.

  • Disciplina: A terceira caixa é a da disciplina de pesquisa como um todo dentro da organização, incluindo a estruturação do time, processos, cultura, governança e integração com outras áreas. Em grandes empresas, pode envolver a criação de centros de excelência, comunidades de prática e sistemas de governança para garantir a qualidade e o alinhamento das pesquisas. Em algumas realidades, também a caixa da disciplina pode ser a mesma da caixa de Operações.

Quais as maneiras de mensurar?

Uma vez que entendemos que falar de operações de pesquisa não é exatamente a mesma coisa que falar de projetos de pesquisa, vamos avançar. Existem tantas interpretações e aplicações do verbo “medir” ou “mensurar” que vale a pena colocar um pouco de luz para sabermos quais caixas vamos abrir e conectar ao que precisamos. Por isso, falar de métricas também pode não ser a mesma coisa que falar de impacto em alguns contextos, isso sem trazer o famoso ROI para a discussão.

Métricas

A caixa de métricas contém indicadores usados para acompanhar o andamento de iniciativas e seus respectivos resultados. Alguns exemplos são: 

  • Aumento de receita

  • Economia de recursos

  • Mudanças em processos

  • Melhoria na satisfação dos usuários

  • Número de estudos realizados por trimestre

  • NPS interno

  • Frequência de uso do repositório

  • Facilidade de acesso aos relatórios

  • Feedbacks dos stakeholders

  • Entre outros.

Impacto

A caixa do impacto vem com uma provocação maior: quais foram as mudanças provocadas pela pesquisa, seja no produto, no negócio ou na experiência do usuário? Ele pode ser mensurado por resultados menos quantificáveis e mais conceituais, como:

  • Mudança em projeto ou produto já existente

  • Mudança em iniciativa em execução

  • Definição de estratégia de produto ou negócio

  • Aumento de contato de stakeholders com usuários

  • Estímulo de novos experimentos ou pesquisas

  • Estímulo de colaboração entre times

  • Desenvolvimento do sistema de pesquisa na empresa

Em outras palavras: o que não existia (ou não era possível) antes da pesquisa e agora existe (ou se tornou possível) depois dela?

Se quiser começar nesse desafio com uma ajuda, criei um modelo de planilha e formulário, baseado em um outro conteúdo que abriu muito minha cabeça (referenciado no template).

Return on Investment (ROI)

Nesta caixa, está a relação entre o investimento feito em pesquisa e o retorno financeiro ou estratégico gerado por esse investimento. O ROI pode ser difícil de calcular diretamente, pois nem todo impacto de pesquisa é imediatamente mensurável em dinheiro, mas pode ser estimado a partir de métricas e impactos observados.

Mensurar é conectar as peças certas

Agora sabemos que existem três caixas para saber o que mensurar: Operações, Projetos e Disciplina. Também vimos as outras três que nos ajudam a entender quais os caminhos possíveis: Métricas, Impacto e ROI. A mágica disso tudo é que é possível conectá-las.

Pode ser que faça sentido na sua equipe mensurar métricas de projetos de pesquisa e também o impacto de projetos de pesquisa. Em outra empresa, podem existir métricas de operações de pesquisa, por exemplo. Não tem certo e errado, apesar de algumas combinações serem mais populares, mas é você quem decide o que vai precisar para evidenciar as suas conquistas e da sua equipe.

A missão aqui era deixar claro: por mais que todos os caminhos nos levem a Roma (queremos ser mais reconhecidos e garantir mais investimentos para nossas equipes), precisamos entender as diferentes maneiras que temos de percorrê-los.

ResearchOps: Como Identificar Problemas e Criar Soluções na Sua Equipe

Você já se perguntou como implementar ou otimizar as Operações de Pesquisa (ResearchOps, ReOps) na sua equipe ou organização? Neste artigo, vamos explorar juntos algumas reflexões que podem ajudar você a identificar problemas e oportunidades nessa área, (ainda) frequentemente mal interpretada e vital para o sucesso das atividades em Research, Design e Produto.

Desafios para começar

Iniciar em ResearchOps pode ser um labirinto confuso para Designers e Gerentes de Produto. Você deve estar imaginando que para Pesquisadores pode ser mais fácil, né?! Pois bem, pode não ser bem assim… Pense que uma Pesquisadora, por exemplo, tem várias coisas para fazer, pesquisas para entregar. Isso toma quase que todo o tempo do dia dela e aí eu te pergunto: “Em que momento ela vai conseguir trabalhar pra aumentar a eficiência de Pesquisa, se ela não consegue parar e se dedicar a isso?”

É como dirigir um carro e trocar a roda ao mesmo tempo… Não vou falar que é impossível, porque já assisti muitos filmes de super heróis, mas vamos combinar que fica tudo extremamente difícil, né?!

Quando não temos tempo para refletir e analisar, a dificuldade em identificar um ponto de partida é comum, especialmente quando os recursos são limitados. Por falar nisso, já quero até dizer uma coisa: você não vai conseguir resolver todos os problemas num curto ou médio prazo. (Costumo falar que nem no longo-prazo, já que tudo muda a todo instante, mas isso é conversa pra um outro artigo.)

A importância da identificação consciente de problemas

ReOps vai (muito) além do gerenciamento de processos e recrutamento de participantes e já falei sobre isso neste outro artigo. Trata-se de compreender a complexidade e dinâmica do ambiente de pesquisa, incluindo a coleta, análise de dados e tomada de decisões. Identificar corretamente os problemas é crucial, funcionando como um farol para guiar equipes através de dados e insights.

Separei algumas perguntas-chave que podem te ajudar a começar a criar essa jornada na sua cabeça:

  • Como você e sua equipe definem e priorizam problemas internos?

  • Sua equipe está alinhada aos objetivos maiores da organização?

  • Como sua tática de identificação de problemas contribui para o desenvolvimento da equipe?

Qualidade dos problemas identificados

Sem clareza, mesmo as equipes mais talentosas podem se perder em processos ineficientes e decisões mal tomadas. Já se deparou com situações onde, apesar de todos os esforços, os resultados parecem desconectados das expectativas? Isso pode ser um indicativo de problemas mal identificados. 

Identificar problemas em ResearchOps deve ser um processo contínuo e iterativo. Enfrentar desafios bem compreendidos, de forma colaborativa, leva a soluções mais eficazes, criando oportunidades para inovação e crescimento.

Perguntas-chave:

  • Como você está facilitando esse diálogo com outras equipes?

  • Quais métodos você utiliza para garantir que todos os membros da equipe possam contribuir para a identificação de problemas?

  • Como está garantindo que sua equipe permaneça ágil e adaptável diante de novos desafios?

A solução de problemas em ReOps não é apenas sobre “consertar” algo que está quebrado; é sobre criar oportunidades para inovação e crescimento. É aí que fica claro quem enxerga 50% do potencial de ReOps e quem enxerga 100%.

Diagnosticar vai muito além 

Se você chegou até esta parte do texto, espero que já tenha compreendido que antes de começar a criar ações de ReOps, é preciso identificar muito bem os problemas. Então, chegou a hora de “arrastar os móveis” dentro do seu cérebro e iniciar esse processo para sua equipe ou organização.

Você pode fazer isso de forma mais completa, por meio de um diagnóstico, em workshops, entrevistas com stakeholders e observação. Isso leva tempo e, para te ajudar a sair da inércia, preparei uma ferramenta que você pode usar, um formulário. Quem sabe você tem novas ideias para continuar um processo mais completo com seus colegas?!

Ponto de partida: formulário

O formulário é um convite para você não só “perder o medo” de encontrar problemas, mas também ver que esse é um exercício inerente à criação de um plano de implementação ou melhoria de ReOps na sua organização. É um ponto de partida na sua jornada para mapear o que fazer, de maneira estruturada. 

Acessar formulário

O funcionamento é bem simples. Você vai ler afirmativas, levando em consideração se é um problema na sua equipe ou não. Se você identificar que sim, você vai simplesmente marcar a opção. Depois disso, você verá seu resultado e uma lista com os problemas que você identificou. Assim, poderá levar para sua equipe e começarem a discutir sobre.

Este material não tem a intenção de ser um diagnóstico, um mapeamento completo ou uma pesquisa científica. É um exercício de conscientização sobre problemas envolvendo ResearchOps, algo mais básico e sem tanta complexidade. Mais detalhes estão na descrição do formulário.

Mesmo sendo um pontapé inicial, já ajuda (e muito) na missão de trazer a reflexão para o campo dos problemas primeiro, permitindo a criação de soluções mais assertivas depois. Sei que não estou sozinho nessa. Vamos juntos?!