Por que precisamos de modelos em UX?

Quando comecei a trabalhar com UX, percebi que uma das maiores dificuldades era explicar claramente o que eu fazia. Como mostrar que UX vai além de um botão bonito ou de uma tela funcional? Como justificar decisões que pareciam “óbvias” para quem entende de design, mas que não estavam claras para quem não vive isso no dia a dia?

Foi aí que os modelos de representação entraram no meu repertório. Modelos ajudam a dar forma ao pensamento. Tornam invisíveis mais visíveis. Organizam o que está bagunçado e ajudam a lidar com a complexidade de criar experiências digitais melhores.

Esses modelos não existem para decorar slides. Eles servem para organizar a conversa entre designers, times de produto e stakeholders. No meu livro, “Princípios de UX“, falo sobre três deles que considero fundamentais para quem está começando ou quer fortalecer a base do raciocínio em UX:

O UX Honeycomb de Peter Morville

O primeiro a ser discutido será um modelo chamado de UX HoneyComb. Ele se parece – como o nome em inglês diz – com uma colmeia, e foi proposto por Peter Morville. Inclusive, há uma ligação muito forte entre os arquitetos de informação e os UX designers. A maior parte dos últimos veio do ramo dos primeiros. Há uma brincadeira que diz: o UX designer é um arquiteto de informação com superpoderes.

Esse modelo é ótimo para mostrar que não basta o produto “funcionar”. Ele precisa ser encontrável por quem vai usar. Precisa ser desejável, mas também acessível. Precisa ser útil, mas também usável.

A colmeia permite refletir sobre onde está o gargalo de uma experiência ruim. Às vezes, não é o visual que está falhando, mas a encontrabilidade da informação, por exemplo.

Na imagem abaixou, podemos observar os sete aspectos que compõem uma boa experiência: útil, usável, desejável, encontrável, acessível, confiável e valioso.

Usar esse tipo de representação muda a conversa. Deixa de ser “gostei ou não gostei” e passa a ser “qual camada estamos negligenciando aqui?”

O UX Umbrella, de Dan Willis

Seguindo a exploração dos modelos de UX, depois do HoneyComb, vamos falar de UX Umbrella (em português, UX Guarda-Chuva). Esse modelo é bastante usado por aí porque, normalmente, as pessoas dizem que o UX é um termo “guarda-chuva” para uma multiplicidade de coisas: arquitetura da informação, pesquisa, design de interação, estratégia de conteúdo, acessibilidade e tantas outras.

Esse modelo foi proposto por Dan Willis e, para quem quiser se aprofundar ainda mais, no LinkedIn dele há uma apresentação completa sobre o UX Umbrella.

É um lembrete importante de que UX não é uma função única. É uma colaboração. E ao mostrar isso visualmente, conseguimos explicar por que profissionais de diferentes especialidades trabalham juntos para garantir boas experiências.

Diagramas de Venn e a experiência do usuário

Os diagramas de Venn são ferramentas visuais simples, mas extremamente eficazes para pensar sobre experiência do usuário. Um dos usos mais comuns é representar a intersecção entre três grandes áreas: tecnologia, negócios e pessoas. Já usei esse modelo diversas vezes em apresentações e reuniões para explicar que UX não é responsabilidade só do design, nem se resume a fazer o que o usuário quer.

É sobre encontrar o ponto de equilíbrio entre o que é tecnicamente viável, o que faz sentido para o negócio e o que é desejável para quem usa o produto. Esse tipo de representação ajuda a colocar todo mundo na mesma página. Ao visualizar os pontos de convergência e de conflito entre esses três domínios, fica mais fácil argumentar, priorizar e colaborar de forma estratégica. E talvez o mais importante: reforça que UX é um esforço coletivo.

Modelos não são receitas de bolo

Modelos não são receita. São lente. Eles não dizem o que fazer, mas ajudam a enxergar com mais clareza o que está acontecendo. Quando ensino UX, não quero que as pessoas apenas decorem modelos. Quero que usem esses recursos para construir pensamento crítico, fazer boas perguntas e tomar decisões mais conscientes.

Modelos são atalhos cognitivos que nos ajudam a lidar com a complexidade dos projetos digitais. Eles permitem colaborar melhor, justificar escolhas e, principalmente, manter o foco no que mais importa: as pessoas que vão usar o que estamos desenhando.

Profissionais de UX: Como criar experiências memoráveis e superar expectativas

Ao pensar sobre as pessoas que atuam na área de Experiência do Usuário (UX), podemos mergulhar neste universo discutindo sobre as responsabilidades técnicas e comportamentais. No meu livro “Princípios de UX”, eu abordo a amplitude e a profundidade dessa área principalmente no campo técnico, e neste artigo, quero contar um pouco mais sobre o que eu escrevi e  explorar ainda mais o que significa viver e respirar UX.

O foco no usuário, como detalhado na Parte 2 do livro, vai além de uma simples observação. É uma imersão no contexto e nas necessidades dos usuários. Quando falamos de UX, estamos falando de empatia e compreensão profunda – não apenas de quem são os usuários, mas de como eles interagem e se sentem em relação ao produto ou serviço. É um exercício constante de se colocar no lugar do outro.  E quando falo em compreensão, quero dizer quando se trabalha com UX, esse foco é o ponto de vista de quem vivencia aquela experiência. É preciso entender quem são os players daquilo, quem são as pessoas envolvidas em tudo. É como se fosse um conjunto de disciplinas colaborativas, porque é preciso colaborar em múltiplas áreas. São vários agentes construindo aquele universo, aquele produto, para um usuário. Por isso, essa disciplina é colaborativa e precisa ser organizada para fazer com que alguém repita uma experiência de forma consistente.

Além disso, os profissionais desse grupo precisam estar sempre aprendendo, pois cada nova pessoa que passar a usar aquele produto estará em processo de aprendizado e é necessário, junto com ela, compreender técnicas novas.

Aprendizado Contínuo e Comunicação Eficaz

Conforme avançamos para a Parte 3, “Executando Ideias”, a capacidade de aprendizado contínuo é ressaltada. Cada usuário traz uma nova perspectiva, exigindo dos profissionais de UX uma mente aberta e um coração disposto a aprender. Além disso, a comunicação eficaz é uma ferramenta poderosa. Ela permite não apenas a compreensão dos usuários, mas também facilita a colaboração entre diferentes áreas, aspecto fundamental que descrevo ao abordar o design colaborativo. Isso porque, Profissionais de UX têm que ter a habilidade de aprender sempre, em tudo, como se fosse a primeira vez, e ter a capacidade de se comunicar, uma vez que, sem isso, não é possível se aproximar de usuários, parceiros, colaboradores do ambiente de trabalho e nem proporcionar experiências melhores.

No mundo em constante mudança de hoje, discutido na Parte 4 sobre “Testes, Análises e Métricas”, a flexibilidade e a visão sistêmica são cruciais. Entender como variáveis controláveis e incontroláveis afetam a experiência do usuário é vital. Aqui, profissionais de UX são desafiados a adaptar-se rapidamente e a pensar em termos de sistemas – como cada parte influencia o todo e vice-versa. O mundo muda muito o tempo todo e é importante entender que os novos contextos alteram a maneira como produto e usuário são afetados. Em novas condições, certas variáveis são possíveis de se controlar, outras não. É aí que entra a necessidade de visão sistêmica.

Conclusão: Superando Expectativas com Design Emocional

Concluindo, profissionais de UX não têm apenas a tarefa de satisfazer, mas de superar expectativas. Com um entendimento profundo dos desejos e necessidades dos usuários, é possível criar experiências que toquem os corações e deixem marcas duradouras. Este artigo é um convite para aprofundar-se nos princípios e práticas de UX, independente do seu nível de experiência. Há sempre novas descobertas e maneiras de enriquecer a experiência humana através do design.

Princípios de UX” está disponível no site da Editora Brauer. Seu feedback é valioso e será muito apreciado.

Boa leitura!