Carreira internacional: o que esperar e como se preparar para além do inglês
“Você não faz ideia do quanto eu sou inteligente na minha língua nativa.” Eu ouvi essa frase duas vezes na minha vida e as duas me marcaram. A primeira foi em uma cena de Sofia Vergara em Modern Family. A segunda, no prefácio escrito pelo grande Al Lucca para o novo livro do Vitor Ferrara, que será lançado pela Brauer e trata de carreira internacional.
Al Lucca mora e trabalha nos Estados Unidos há mais de uma década e, no prefácio, resume algo que eu vivi na pele nos últimos 7 anos e meio morando fora. Não é a dificuldade de falar inglês, é o cansaço mental de defender uma ideia complexa, discordar de alguém ou fazer uma piada e sentir que metade de quem você é ficou perdida na tradução.
No livro, o Vitor escreve sobre a síndrome do impostor ou, para nós brasileiros, a síndrome do vira-lata, que faz a gente achar que a vaga de fora é sempre pra outra pessoa, alguém com mais preparo, mais experiência, mais alguma coisa, mas nunca pra você. Eu também conheço esse sentimento e gosto que o Vitor não trate isso como uma questão de motivação, mas como parte do processo, algo que se resolve com muita preparação.
“Carreira Internacional para Designers Brasileiros” percorre tudo o que envolve buscar uma carreira fora do Brasil, passando pelo planejamento da jornada, vistos, portfólio, LinkedIn e processos seletivos internacionais. E mesmo que você não esteja pensando em mudar de país ou buscar uma vaga fora agora, tem muita coisa ali que vale para qualquer designer.
O Vitor desconstrói a narrativa de que o processo é mais importante que a entrega. Uma ideia que formou uma geração que sabe explicar por que cada etapa do processo de design é necessária, mas tem dificuldade em entregar uma interface bem construída. Como o Al Lucca diz, portfólio bonito não é vaidade, é respeito com quem vai ler e com o próprio trabalho.
E tem uma coisa que o livro me lembrou sobre imigrar, que é como tudo vira novidade ao mesmo tempo. Processo seletivo diferente, cultura de trabalho diferente, expectativas diferentes sobre o que é ser designer. E você precisa lidar com tudo isso enquanto ainda está se adaptando ao idioma e, provavelmente, à burocracia de viver em outro país. Com o tempo, você percebe que está aprendendo a trabalhar e a viver dentro de uma realidade completamente nova.
Se você já passou por essa jornada ou está pensando nela, o que mais pesou ou tem pesado pra você?
Se você tem interesse em construir uma carreira internacional, seja mudando de país ou trabalhando remotamente, cadastre-se pra saber quando o livro do Vitor for lançado. Quem estiver na lista de pré-venda vai ter uma condição especial 😉